lookatyourself.jpgHá poucas dias atrás, houve uma certa discussão em torno de um post no blog do Obie Fernandez, um rubysta de fama internacional. O post se chamava Top 10 Reasons Why Java Sucks Ass, que em português significaria algo como 10 Razões Porque Java É Uma Droga.

Neste post, apesar de dizer algumas verdades sobre o Java, Obie estava sendo claramente motivado pelo senso de humor, já que não tem como considerar seriamente uma lista que inclui Java tem IDEs como um dos seus itens.

Mas parece que parte da comunidade Java não achou graça, e reagiu, ao meu ver, de forma exagerada nos comentários do post. Um deles, Daniel Spiewak, até mesmo escreveu um post parecido, dessa vez enumerando as 10 Razões Porque Ruby É Uma Droga.

Acontece que essa não foi a única situação parecida nos últimos dias, teve também uma discussão entre parte da comunidade Ruby on Rails brasileira e um programador .NET, que se iniciou por conta de um post chamado Porque Rails é melhor que ASP.NET? e terminou no post Ruby on Rails não tem futuro - corra atrás da sua certificação enquanto é tempo, no blog do Carlos Brando, que de certa forma originou o post que compara o Rails ao ASP.NET quando escreveu Por que .NET é melhor do que Rails?.

Por fim, houve também uma certa repercussão em torno do artigo 7 reasons I switched back to PHP after 2 years on Rails, ou 7 razões porque eu voltei pro PHP após 2 anos no Rails, escrito por Derek Sivers e publicado no blog sobre Ruby da O’Reilly.

Diante destas discussões, eu pensei em escrever sobre o protecionismo de alguns programadores, sejam eles programadores Java, .NET ou PHP, mas então eu lembrei de mim mesmo.

Há cerca de um ano e meio atrás, eu tinha recém iniciado os estudos do Java, e então um amigo me falou que existia uma linguagem “nova” chamada Ruby, e então me indicou o famoso tutorial Why’s (Poignant) Guide to Ruby.

Na ocasião, eu sequer me dei ao trabalho de pensar sobre o assunto, e apesar de ter ido dar uma olhada no tutorial, eu o fiz já com o resultado definido: não gostaria do tutorial e muito menos do Ruby. Pensei na hora “Aquilo definitivamente não pode prestar”. Enfim, eu fiz a proeza de realizar uma ação já tendo decidido qual é o resultado dela antes mesmo de iniciá-la.

Pouco tempo depois, esse mesmo amigo também me aconselhou a estudar sobre o Ruby on Rails, além de explicar algumas de suas vantagens, no qual foi novamente ignorado sem maiores buscas técnicas do que seria este tal Ruby on Rails. Pelo contrário, dessa vez eu sequer me dei ao trabalho de fingir dar uma chance ao Rails, não buscando material algum sobre o assunto.

Depois de muito tempo, e em grande parte por influência dos excelentes artigos do Fábio Akita sobre o Ruby on Rails, eu decidi dar uma nova chance ao Ruby e também ao Rails. Como resultado desta nova busca, dessa vez sem um resultado pré-definido, eu me tornei um fã tanto do Ruby como do Rails, tendo ambos hoje como meus principais objetos de estudo.

Ainda assim, eu demorei um certo tempo para perceber o quão estúpido eu fui. Na verdade, eu só percebi mesmo ao ver este mesmo comportamento sendo repetido por outras pessoas. Então eu consegui identificar o motivo desta atitude nessas outras pessoas, e só então a ficha caiu, e eu vi que era a mesma motivação que me moveu no passado: o protecionismo.

Sendo assim, hoje é fácil para mim olhar pra trás e me achar uma besta pela minha atitude passada, assim como também é fácil criticar a reação dos programadores Java, .NET e PHP envolvidos nas discussões mencionadas.

No entanto, justamente por ter sido tão irracional no passado, baseado no protecionismo de não querer que outra coisa seja boa para que isso não signifique que o que eu estou estudando não é, eu entendo o comportamento desses programadores. Se eu não dei importância ao assunto quando me foi apresentado por um amigo, não é de se espantar que eles façam o mesmo quando apresentados por estranhos.

E mais importante que entender, eu tento me policiar agora para não fazer o mesmo novamente. Não somente nesta questão, mas em outras também, ou seja, quando identificar algo que eu considero irracional vindo de outra pessoa ou de outro grupo, tentar olhar para mim mesmo pra ver se não encontro uma correspondência nas minhas próprias ações. Até porque, eu só percebi o meu erro através da reprodução dele por parte de outras pessoas.

Sendo assim, aconselho aqueles que tiverem lendo isso a fazer o mesmo, olhar para essas e outras atitudes irracionais, e então olharem para dentro de si mesmos para verificar se há correspondências. Muitas vezes não notamos que cometemos os mesmos erros que achamos estúpidos quando o vemos em outras pessoas. Sendo assim, usemos os erros alheios como ferramenta para descobrir os nossos, pois lamento informar, mas não é só os outros que cometem erros muitas vezes estúpidos.

E para finalizar, gostaria de dizer que isto não é de maneira alguma uma crítica a comunidade Java, PHP ou .NET, até porque a raíz de comportamentos estúpidos não está em nenhuma dessas linguagens de programação, e sim no comportamente humano.