Ao pesquisar por listas de discussão sobre Ruby on Rails no Google, eu acabei indo parar no blog Tecnologias Web. Como o Rails é um dos temas do blog, e eu já estava lá mesmo, acabei dando uma olhada no conteúdo, e encontrei a tradução de uma entrevista do David Heinemeier Hansson(DHH), o criador do Rails.
A entrevista original foi concedida para a O’Reilly Network, em 30 de agosto de 2005, ou seja, já faz um bom tempo. Tanto tempo que é até curioso ver o David falar sobre o Capistrano, na época conhecido como SwithTower, como uma novidade a ser introduzida em uma versão futura do Rails.
Portanto, como se trata de uma entrevista bem feita, eu recomendo a leitura, tanto da versão original quanto da versão traduzida. Apesar disso, gostaria de destacar algumas coisas interessantes que foram ditas.
Uma destas coisas é a resposta do David quando perguntado sobre a sua funcionalidade favorita do Rails. Na resposta dele está muito da filosofia do Ruby on Rails, pois ele responde dizendo que é tudo aquilo que o framework não faz. E para realmente entender o Rails, devemos analisar não somente o que ele é, mas também tudo que ele abriu mão de ser em prol de uma visão focada das coisas.
Outro ponto interessante que o David ressalta na entrevista é que o Rails foi desenvolvido orinalmente para servir a ele mesmo no desenvolvimento de aplicações web. E ainda que o framework tenha alcançado bastante sucesso, ele não abre concessões e mantém o seu objetivo original.
Isto pode parecer um pouco egoísta, como ele mesmo admite na entrevista, no entanto, devemos lembrar que o DHH é um desenvolvedor de aplicações web, portanto os problemas dele são os problemas de milhares de outros desenvolvedores. Logo, ele está resolvendo também os problemas de uma quantidade enorme de pessoas, além de proteger esta solução, de forma a não “contaminá-la” com problemas que fogem ao foco original.
Por fim, gostaria de destacar também o fato dele lembrar na entrevista que o Rails foi extraído de uma aplicação real, no caso o Basecamp. Esta, aliás, é uma posição que ele e comunidade Rails defende com frequência, ou seja, o fato de que um framework, no caso o Ruby on Rails, deve ser extraído de algo concreto, tendo assim apenas funções cuja utilidade foram postas à prova, ao invés de tentar imaginar o que os desenvolvedores poderiam precisar. Este assunto, inclusive, foi mencionado recentemente em um post no blog da 37 Signals onde o DHH fala sobre o nascimento do Rails.

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